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Jornalista, Espelho da Verdade

 
   Desculpe-me o caro leitor que me prestigia dando-me a atenção de ler este comentário que escrevo tão iritado. Quem já leu outros anteriores vai lembrar-se de que fico chateado ao encontrar erros e\ou falhas nas leituras que diariamente faço de matérias jornalísticas, principalmente porque - não custa repetir - o jornalista tem a obrigação de escrever corretamente, já que seus leitores estarão sempre pensando que terão textos sem erros (ou com menos erros) que os triviais. Ou seja: o jornalista é, para o povo, o espelho da verdade. Eu, que continuo a escrever por mero lazer, sempre tive a preocupação de fazê-lo o mais acertadamente possível, desde antes de virar jornalista. E, depois (já há décadas), eu me obriguei a procurar tal qualidade quase que por obrigação. Tornei-me disciplinado nisso. Aliás, quem me conhece sabe que faço algo com disciplina, quando me dedico seriamente a fazê-lo.
   Pois bem: esclarecendo o porquê da irritação, cito que, hoje, ouvi pela TV, no noticiário matutino, o repórter dizer que "...o presidente Bolsonaro também anunciou que..." etc. etc. E, ontem, no noticiário noturno, ouvi a apresentadora informar que "... o ministro também vai apresentar..." etc. etc. Curioso o fato de em nenhuma das duas notícias constar, anteriormente, QUEM - antes do presidente  e do  ministro - anunciou ou apresentou alguma  coisa. Ora, por nossa senhora da letra miúda, se nem um nem outro anunciou ou apresentou nada, então houve um certo exagero do repórter e - PIOR - do editor também, que compartilhou o erro. A ideia divulgada de que o presidente 'também anunciou' significa que  alguém havia anunciado antes dele. Da mesma forma, com o ministro.
   Pois é: alguns dirão que "esse cara 'ta exagerando; isso é preciosismo demais; é o que mais se vê, hoje, na imprensa..." etc. etc. Ora, ora! Não é preciosismo, não! É verdade que se vê esse erro muito mais do que imagina a vâ consciência. Mas 'ta errado, ora bolas! Eu só lamento uma coisinha, já tão comum atualmente: apesar de eu torcer para a humanidade evoluir, todo mundo sabe que um erro vira acerto, com o passar do tempo. Em parte, é bom para a evolução da Linguística como ciência. Porém, contribui para a involução da Gramática como norma de escrita. A curto prazo, enriquece o estudo da Língua e amplia o léxico, mas, a longo prazo, a Gramática será cada vez menos praticada. 
   Hoje, temos muito bons exemplos de como a Linguística transformou a Língua Portuguesa. É bem grande a variedade de termos e expressões que perderam seus significados originais, a começar pela transformação de adjetivo em particípio de verbo, E o melhor exemplo disso é a expressão 'morto', que, há cerca de 35 anos (ou pouco mais), apontava alguém sem vida e, atualmente, alguém que morreu. Ou seja: a expressão "fulano foi  morto" (tão comum hoje) indicava que ressuscitou. Outro exemplo de mudança, mas não tão grave, indica transformação de  substantivos. Em dois casos, eu próprio fui praticante. Um deles no jornal Correio Braziliense, em 1977 (não me recordo em que mês), e outro, no extinto Banco Nacional da Habitação, também não me lembro em que mês.
   No primeiro, eu substituía o editor de Cidades por 20 dias e fechava as páginas locais. Certa vez, ao ler u'a matéria de um dos repórteres, olha lá o neologismo ainda muito recente: "paquistanês". Claro que corrigi: "paquistanense". No dia seguinte, ao chegar, fiz o de costume: verifiquei minhas páginas e matérias editadas, e, p'ra minha surpresa, olha lá o neologismo de novo: "paquistanês". Fui à Revisão (ainda era comum) e  abordei o Chefe, que me encarou ríspido: "Eu mandei corrigir". E eu retruquei: "Pois vá lá nos seus alfarrábios e me traga essa expressão como gentílico de natural do Paquistão. Você não vai achar". E realmente aconteceu: ele não achou em nenhum dos dicionários. O novo gentílico consolidou-se logo-logo. Mas, naquele dia, o natural do Paquistão era "paquistanês".
   No segundo caso, quando fui assessor de Comunicação Social da Gerência do BNH em Goiás, nos anos de 1981-84, fui designado para acumular a função de secretário-executivo do Comitê de Crédito (Cocrer) da Agência, e secretariava todas as sessões de avaliação e votação das operações financeiras do BNH no Estado. Por isso, eu dava um visto em todos os processos que ali passavam. Certa vez, recebi um, já aprovado, para financiamento de uma operação da estatal Saneamento de Goiás S.A. em que eu deveria dar o visto. No entanto, recusei-me e comuniquei à Gerência que eu não poderia fazer porque havia um erro na cláusula de fixação da multa por atraso. O contrato, redigido no Rio, citava que, em caso de inadimplência, seria cobrada multa etc.etc.  Neguei-me porque 'INADIMPLÊNCIA' não existia. O processo voltou para o Rio, e eu fui intimado pela Presidência e me justificar. Respondi que desconhecia a expressão e não a encontrara em nenhum dicionário. Realmente, o contrato foi re-redigido. Hoje, aquele neologismo já é dicionarizado, Mas, naquele dia de 1983,  não existia.
   E, da mesma forma, são muitos os exemplos de mudanças de expressões da Língua Portuguesa provocadas pelo mau uso no dia-a-dia. Algumas nem são agressivas, como por exemplo "medíocre" (indicativo de algo ou alguém que é  'do meio', isto é: normal), tornada agressiva pelo mau uso.   (et)
































   









 que há cerca de 35 anos (ou pouco mais) \zxxdvbvbbbbffffgnmnbn gaetttytyuyukq2323334

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